16 de julho de 2011

O velho mar

- O quê há?
- Tô meio deprimido.
- Por quê?!
- Sei lá... Essa chuva...

Essa chuva que me prende em algum lugar subliminar e sutil entre o hotel e o mar, me impedindo de caminhar livremente, sentindo a areia entre os dedos dos pés, o vento úmido na cara, o cheiro de peixe morto dissolvido no cheiro do mar, e o barulho ensurdecedor e tranquilizante das ondas quebrando ao meu lado. Quisera eu poder ficar o dia todo dentro da água, dando cabeçadas nas ondas, sentindo Poseidon sacudir meu corpo como alguém que sopra um mosquito para longe, e de repente, após instantes muito longs embora breves, surgir novamente à tona com toda espuma que a água produz quando agita a areia do fundo e misturam-se ar, terra e água.

E eu, fogo, brigando com os outros elementos, sólidos e tangíeis, brigando e sabendo que não vencerei essa batalha de elementos, mas feliz com a idéia de derreter a terra, ferver a água e aquecer o ar, até surgir o vento, esse nosso filho único e bastardo, revoltado, em vão desafiando seus pais.

Me pergunto se o mar fosse feito de ar, em vez de água, toda vez que eu mergulhasse um furacão seria formado e eu turbilhonaria para dentro do infinito, acordando na praia e ouvindo novamente aquele barulho furioso dessa briga eterna e infrutífera desse cheio de emoções e sentimentos, o mar, que apesar de tudo sempre vence a sim mesmo.

3 comentários:

Fernando Erthal disse...

Droga, não gostei desse título.
Hemingway que me perdoe.

Anônimo disse...

lindo texto. mas hemingway não perdoará.
senti tua falta na minha festa . . .

Luís Gustavo Machado disse...

Gosto das comparações e da simples poesia presente em alguns trechos.