15 de julho de 2009

10 de fevereiro de 2009

Pois é, são 1 e 22 da manhã em Florianópolis e o Fernando aqui, sentado de azul com as calças arregaçadas até o joelho, olhando para todo o movimento do moço da limpeza com seu carrinho pouco barulhento, os guardas conversando fora de sintonia, um rádio tocando ao fundo alguma música ininteligível, um certo calor úmido de uns 25ºC, ninguém chegando, ninguém partindo, nada de ‘to-dos-os-dias-é-um-vai-e-vem/a-vida-se-repete-na-estação’, apenas o Fernando ali sentado todo de azul com as pernas esticadas, e o moço que estava dormindo e roncando ali, que deve ter ido dar uma volta, mas já voltou.

Estas quatro horas de espera devem servir como um curso intensivo onde se aprende a não fazer e pensar em nada o tempo todo; afinal é isso que se faz quando estamos de férias; esperamos o tempo passar e levar nossos nós embora, como um milagre de limpeza da cabeça e da alma, deixando o piso e as prateleiras limpas e expulsando as aranhas, para colocarmos todos os livros de volta durante o ano, alguns mais usados, alguns ainda intocados, e alguns livros novos de assuntos que nunca nos interessaram.

As lojas de conveniência são melhores que em Porto Alegre, embora o aeroporto seja mais parecido com uma rodoviária nova de cidade do interior. Preciso descobrir algum outro meio de transporte para a rodoviária, de modo que eu possa tomar o ônibus das 5 e quinze, e a moça vem me pegar na rodoviária em Camboriú. A única coisa importante nisso tudo é chegar antes na rodoviária, mas isso atrapalharia meu curso intensivo de como não pensar nem fazer nada enquanto o tempo passa, aqui, no aeroporto.

Eliza Rossi é o nome da comandante do vôo no qual vim, primeira vez que tomo conhecimento duma comandante de aviação comercial mulher. Gostei dela, simpática, não tinha aquela austeridade disfarçada dos outros comandantes de vôos que já participei.

Cinco segundos de diferença entre o relógio digital e o analógico do meu relógio de pulso, não foi exatamente uma diferença proposital.

Terminou meu papel.

Um comentário:

Luís Gustavo Machado disse...

Legal, mas fiquei curioso para saber como essa história terminou...