17 de março de 2010

Utopia

Sempre quis ser alquimista. Ainda quero, e pretendo. Tenciono misturar os elementos em doses exatas e aleatórias e deles extrair mágica. Uma simples pitada de pó de água fresca com um ou dois sopros suaves de vento quente na temperatura exata, num caldeirão de água do mar do Paraíso, algumas folhas de árvore da virtude, três grãos de pólen da flor da minha infância, misturar tudo cantando baixinho mantras de audácia, e Abracadabra: terei minha vida de volta, como um grande e dourado castelo branco envolto em nuvens azuladas e perfumadas de jasmim, com o nascer do Sol ao fundo e com grandes portões pesados, de madeira de lei do universo, que só permitem entrar e acontecer o que deve ser!

E neste castelo da minha vida que terei todos poderão ser quem são, sem máscaras nem dentaduras de sorrisos falsos, sem lágrimas de dor e frustração, sem risos de maldade nem gargalhadas de ignorância. Poderão sofrer genuinamente e sarar das feridas sem ficar com cicatrizes na pele macia! Entrarão no castelo da minha vida que terei os grandes de coração e pequenos de si mesmos, prontos para aceitar com coragem a grande dúvida e desconstrução que a vida provoca, e que nos faz perder toda linha do tempo à qual nos agarramos para não cair no chão frio, duro e áspero da realidade.

Um comentário:

Luís Gustavo Machado disse...

Sem dúvida, esse foi o melhor texto que li. Os outros escritos por ti são muito boas, mas esse ficou ótimo. Consegui viajar na tua narrativa. Me envolver pelas tuas palavras. Muito bom!